O filtro de sharp (aguçar) salienta as transições enquanto o filtro de soften (suavizar) tem o efeito contrário, atenua as transições.
O filtro de sharp tem diversas variantes, sendo a mais interessante a versão de unsharp.
Filtro passa-baixo
Os digitalizadores de imagem ao amostrarem pontos muito próximos, fazem uma medição ponderada da amostra pretendida e dos seus vizinhos. Têm por isso um efeito de soften ou, em linguagem de engenharia, têm um efeito passa-baixo.
O filtro passa baixo define o valor de um pixel* da imagem filtrada a partir do pixel correspondente na imagem original e dos seus vizinhos imediatos. Utiliza-se uma tabela de pesos que multiplica o valor dos pixels adjacentes por um factor que varia com a distância ao pixel central, de forma a calcular a média ponderada. Por exemplo,
| 0.05 |
0.1 |
0.05 |
| 0.1 |
0.4 |
0.1 |
| 0.05 |
0.1 |
0.05 |
...onde o total dos pesos soma 1 para garantir a conservação da média dos valores.
* numa imagem a preto e branco o valor do pixel é definido pelo seu brilho, enquanto numa imagem a cores define-se pelo brilho e dois canais de cor ou por três canais de cor.
Filtro passa-alto
Para desfazer este efeito é conveniente utilizar um filtro passa-alto que restaure a nitidez da imagem, isto é restaure a distância de brilho (ou cromática) entre pixels vizinhos.
Se o passa-baixo se obtém por soma, o passa-alto obtém-se por diferença ou variação. Na implementação de um passa-alto em duas dimensões há algumas dificuldades relativas à direcção: uma imagem de riscas verticais varia muito na horizontal mas é invariante na direcção vertical. A implementação particular dos filtros passa-alto é por isso mais variada.
E qual o resultado de um passa-alto? Quando é detectada uma transição súbita e forte de brilho (ou côr) é reforçado o brilho do pixel com o brilho mais alto. É também comum reduzir o brilho dos pixels com brilho mais baixo, aumentando a nitidez das transições e o contraste local da imagem.
Ao aumentar o contraste local, destacam-se as zonas de transição, reforçando as arestas ou linhas da imagem. Daí se diz que o filtro aguça (sharpens) as imagens.
A imagem Original mostra o resultado directo da digitalização. Na imagem Sharp x 1 mostra-se o resultado de uma aplicação do filtro de sharp. As diferenças são evidentes: os ramos finos dos topos das árvores que pareciam uma rama difusa aparecem como ramos filiformes e a graduação do céu por entre os ramos é muito atenuada, reforçando-se as cores extremas:
branco e laranja.
Repetindo o processo, constata-se a acentuação progressiva destes efeitos (Sharp x 2, Sharp x 3 e Sharp x 4). Enquanto nas zonas escuras a imagem permanece escura, nas zonas dos ramos há uma rede de pontos claros que se dilata e cujo brilho se acentua.
Se no caso de Sharp x 1 se trata claramente de uma imagem fotográfica, no de Sharp x 4 o resultado parece próximo de uma gravura ou de uma xilografia. Não está em questão o valor estético da imagem, mas sim a natureza fotográfica da mesma. Já não é uma fotografia mas uma peça de arte digital baseada em fotografia.
Se a resolução de brilho e côr fosse infinita seria sempre possível utilizar os filtros inversos e assim filtrar e contra-filtrar até chegar às imagens ideais. Contudo como a resolução é finita, chega-se ao ponto onde os pixels vizinhos saturam em preto ou branco e a partir daí não há regresso possível, nem com passa-baixo nem com passa-alto pois já não há diferenças
entre pixels vizinhos.
Sobre o formato JPeG
O formato JPeG foi definido com base na capacidade humana de visão e nas características das imagens do universo humano. Como o olho humano tem uma forte característica passa-baixo e as imagens fotográficas ou televisivas têm grandes zonas regulares, a codificação JPeG beneficia as grandes zonas de padrão regular em detrimento das transições bruscas.
Note-se por isso que o ficheiro da imagem Original tem 87Kb e que o tamanho vai aumentando à medida que a aplicação do sharpening aumenta as variações locais da imagem: 117Kb (Sharp x 1), 161Kb, 212Kb e 258Kb (Sharp x 4). |