Cartilha Maternal de João de Deus Apresentação por João Gomes Mota
  1. Um pouco de história...
  2. Porquê esta adaptação
  3. Para quem é esta adaptação ?
  4. Conselhos aos adultos
  5. Porquê um web design tão austero ?
  6. A sua opinião conta...

Um pouco de história...

A Cartilha Maternal foi publicada em Portugal em 1876; em 1888 as Cortes portuguesas (parlamento) escolheram-na como método oficial de aprendizagem da leitura. A partir de 1911, a Primeira República alargou a rede de instrução pública, espalhando Escolas Primárias por quase todos os centros urbanos, promovendo a difusão da Cartilha Maternal.

Antes e depois das Escolas Primárias públicas, João de Deus, os seus amigos e descendentes estabeleceram em 1882 uma rede de escolas autónomas, originalmente designada "Associação das Escolas Móveis pelo Método de João de Deus". Essas escolas evoluíram para Jardins Escolas e escolas fixas. Entretanto, novos métodos pedagógicos foram surgindo no Ensino Público mas, nesta rede autónoma, a iniciação à leitura contina a ser feita segundo o método da Cartilha Maternal.

Eu mesmo aprendi por este método no Lar Educativo João de Deus, situado na Av. Miguel Bombarda em Lisboa. E, se já tinha aprendido as primeiras letras ao colo do meu Pai com uma ardósia e uma pequena Cartilha Maternal, nunca esqueci o fascínio que sentia pela enorme Cartilha Maternal montada num cavalete na sala da Primeira Classe (que em Portugal se chama hoje primeiro ano do primeiro ciclo).

Pode encontrar na Wikipedia mais informação sobre João de Deus e a Cartilha Maternal.

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  2. Porquê esta adaptação
  3. Para quem é esta adaptação ?
  4. Conselhos aos adultos
  5. Porquê um web design tão austero ?
  6. A sua opinião conta...

Porquê esta adaptação ?

Estou longe de ser um especialista em pedagogia, mas recordo-me da facilidade e alegria com que as crianças da minha Primeira Classe aprenderam a ler. E agora, que tenho filhos com vontade de aprender a ler, quis partilhar com eles o entusiasmo e o prazer da descoberta.

Procurei a Cartilha Maternal nas livrarias mas não fiquei satisfeito com o que encontrei: ou há reproduções próximas do original com pouca qualidade gráfica ou então há versões "modernas" cheias de ilustrações infantilizantes. A ideia da Cartilha Maternal não é associar a imagem à palavra, mas sim levar o aluno a descobrir as palavras. Procurei depois versões da Cartilha Maternal na Internet, mas só encontrei uma versão fac simile parcial na Biblioteca Nacional portuguesa.

Nenhuma das soluções disponíveis me satisfez, até porque procurava algo semelhante à grande Cartilha Maternal da minha escola. Resolvi então passar a Cartilha Maternal para a Internet e partilhá-la com os leitores interessados. Baseei-me na edição fac simile da Biblioteca Nacional, com as necessárias adaptações ortográficas.

Apresentar a Cartilha Maternal na Internet tem várias vantagens sobre a versão em papel:

Variação do tamanho das letras
É possível variar o tamanho das letras de acordo com a acuidade visual dos alunos.
Escolha dos alfabetos
Os alunos aprendem a ler com alfabetos de imprensa mas aprendem a escrever com alfabetos cursivos. Na Internet é possível ultrapassar esta diferença, apresentando as duas versões sem custos adicionais. É ainda possível definir o alfabeto (neste caso, o tipo de letra ou fonte) mais adaptado à cultura dos alunos.
Apresentação em grande formato
É relativamente fácil apresentar a Cartilha Maternal num projector ou numa televisão para um grupo de alunos.
É ainda possível - e trabalhoso - converter estas lições para diapositivos de 35mm e apresentá-las num vulgar projector de slides (dentro de uma década esta frase será mais anacrónica do que a Cartilha Maternal :-) ).
Disponibilidade universal
Com esta adaptação, a Cartilha Maternal fica disponível em todos os países e lugares onde haja acesso à Internet e crianças interessadas em aprender.

Esta adaptação tem também o grande inconveniente de requerer acesso à Internet e electricidade para a ler. Contudo, é possível minimizar estes problemas imprimindo as lições em papel.

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Para quem é esta adaptação ?

Desde a sua publicação que a Cartilha Maternal se dirige principalmente às crianças dos 5 aos 10 anos. Todavia, conheci alguns adultos que aprenderam a ler já depois dos quarenta anos de idade com a ajuda da Cartilha Maternal.

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Conselhos aos adultos

O meu principal conselho, sobretudo para os educadores amadores, é que se excedam em paciência e ternura. O melhor que podem dar aos vossos alunos - normalmente os vossos filhos - é tempo e ternura. A própria Cartilha Maternal exalta um ambiente familiar pleno de amor, alegria, harmonia, serenidade e dedicação mútua.

Todas as lições parecem elementares para quem já sabe ler, mas, para os alunos, é muito exigente decorar os símbolos com os seus múltiplos valores fonéticos, as regras e excepções e pôr os conhecimentos em prática em escassos segundos. A Cartilha chama-se Maternal porque a paciência e a ternura são atributos essenciais da maternidade.

Muitas palavras da Cartilha Maternal perderam hoje actualidade e nada dizem às crianças. Todavia, permitem uma boa aprendizagem e podem ser um estímulo para as crianças curiosas.

É importante associar a leitura à escrita, mantendo as duas aprendizagens a par. A Cartilha Maternal só cobre a primeira função e muitas vezes os pais já não sabem escrever com letra de "escola primária" e por isso não conseguem ensinar os filhos. Ao criar uma cartilha em alfabeto cursivo procurei dar aos alunos um modelo para cópias das palavras que já conhecem.

O ritmo de progresso deve ser determinado pelo aluno. Há alunos que preferem recapitular as lições mais recentes antes de abordar matéria nova, enquanto outros preferem avançar sempre, recapitulando apenas quando necessário; há alunos que aprendem rapidamente uma lição enquanto outros precisam de numerosas repetições.

Há alguns alunos que decoram páginas inteiras da Cartilha Maternal, frustrando o espírito do exercício de análise e junção de sílabas. Os exercícios podem dificultar este processo ao apresentar as palavras numa ordem aleatória.

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Porquê um web design tão austero ?

Porque eu gosto de um web design despojado e porque a Cartilha Maternal convida à singeleza e à humildade. A beleza da Cartilha Maternal não está naquilo que se vê ao desfolhá-la, mas no que se sente interiormente ao descobrir o prazer da leitura.

Quis também reproduzir a Cartilha Maternal tal como ela surgia em livro. Como o écran do computador é - ao contrário dos livros - normalmente mais largo do que alto, foi necessário alterar a disposição das palavras nas páginas embora eu tenha procurado manter a mesma sequência de vocábulos.

Quis ainda aproximar-me da ardósia onde aprendi a ler: ela era grande, pesada, negra e sem quaisquer decorações. Hoje, a minha ardósia é um computador portátil, que por acaso também é negro. Num ambiente cultural cheio de estímulos audio-visuais é um desafio interessante cativar a atenção das crianças apelando apenas à sua inteligência, curiosidade e vontade de aprender.

A navegação está reduzida ao mínimo, concentrando-se na barra inferior, à qual se deve dedicar atenção apenas depois de ler o texto da respectiva lição. Na barra superior encontra-se o ponteiro para a entrada e o título da página. As duas barras destinam-se apenas aos adultos; têm as letras menores para serem invisíveis às crianças.

A única imagem é a da capa, tal como na Cartilha Maternal da minha infância (havia edições que incluíam também uma imagem de João de Deus). A imagem dessa Cartilha era uma esfera de flores brancas, a mesma que consta do logotipo da Associação de Jardins Escolas João de Deus. Também a obra poética de João de Deus se divulga numa obra chamada "Campo de Flores". Por isso, escolhi um campo de papoilas algarvias, bem próximo da São Bartolomeu de Messines natal de João de Deus, para ilustrar a capa desta adaptação.

  1. Um pouco de história...
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A sua opinião conta...

Este trabalho é fruto da minha experiência como utilizador da Cartilha Maternal e como educador amador pelo mesmo método, sem qualquer formação pedagógica específica. Presumo que haja numerosas falhas e omissões que desejo corrigir e melhorar.

Se tiver críticas, comentários, sugestões de mudanças ou melhoramentos, ou se quiser relatar as suas experiências, êxitos e dificuldades no uso desta adaptação da Cartilha Maternal, não hesite em contactar-me.

Lisboa, Setembro de 2003.

* * *

É chegada a hora de abrir a Cartilha Maternal:

Cartilha em alfabeto de imprensa Cartilha em alfabeto cursivo Cartilha em alfabeto de maiúsculas
  introdução